RESENHA: EU SOU MALALA
Em determinado momento de sua vida, você já deve ter ouvido sobre a jovem garota paquistanesa que se opôs ao regime ditatorial imposto pelo talibã, em sua cidade de origem, Mingora, e no vale do Swat, por lutar pela educação para garotas. Deve saber também que a mesma, Malala Yousafzai, foi baleada – talvez não saiba a data, ninguém é bom com datas – no dia 9 de outubro de 2012 e tornou-se símbolo de uma luta continental que infere o poder cultural que toma todo o oriente. Não apenas isso, caro leitor. O livro em questão, que trago hoje como resenha, é além de um relato simplório de costumes culturais e religiosos... Traz uma densa e amarga relação diplomática entre Paquistão e Afeganistão e a forma como a América do Norte contribuiu para uma política efervescente entre as duas regiões.
O livro conta a história de uma garota que queria apenas estudar. Desde pequena, foi criada pelo seu pai como uma filha normal, recebendo criação e tratamento de igual para seus irmãos – do sexo masculino – que têm bem mais importância na cultura paquistanesa. Talvez você não saiba, mas eles pregam um “papel Amélia” para as mulheres, bem diferente do que vemos aqui no ocidente, onde as mulheres têm uma maior liberdade. Lá, eles baseiam os costumes na cultura religiosa do alcorão, onde a mulher tem o papel de procriar e servir seu esposo de forma honrosa e competente, sendo uma serva fiel e atenta. Vale ressaltar que a interpretação do livro sagrado difundido pelo Talibã, não corresponde com a realidade. O pai da Malala não queria que isso fosse o futuro de sua filha, então a única forma que encontrou foi dá-la estudo o suficiente para que ela alçasse voos maiores. Desta forma, a garota, desde muito cedo, manifestou sua imensa vontade de querer aprender, angariar uma profissão social que lhe agradasse e pudesse exercer isso à vontade; e bem além disso, ela queria que outras garotas pudessem fazer o mesmo.
Começou então uma árdua luta, ao lado de seu pai, para tornar pública a ideia da educação como uma forma de desenvolvimento social. Algo que – aos olhos do talibã – era ir contra o próprio profeta –. Numa analogia demagoga, poderíamos dizer que o talibã exerce a função de “caçar as bruxas” e aplica-las medidas disciplinares que as metodifiquem dentro do que querem – o que não corresponde ao certo -. Estão passando por uma fase onde o poder religioso mesclou-se com as exigências políticas, criando uma camada de aceitação e submissão.
A garota relata a forma como a religião muçulmana passou de algo espiritualizado para uma milícia extremista, que assolou o Paquistão e o Afeganistão. Numa certa parte do livro, ela relata um debate na escola onde uma de suas amigas discursou sobre a guerra; de que nós, ocidentais, os víamos todos como terroristas, sempre associando-os às guerras, bombas... Mas que a religião mulçumana não era isso, que ela pregava o amor e o respeito ao próximo.
O governo legislativo foi vencido – ou vendido – à milícia talibã ( é um movimento fundamentalista islâmico nacionalista que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994 e que, efetivamente, governou o Afeganistão entre 1996 e 2001). E instaurou o terror. É uma milícia política-militar que foi criada com a intenção de irromper a invasão soviética ao Afeganistão. Diz-se que é uma entidade política-religiosa, responsável por resgatar a essência da fé islã e criar um estado teocrático – onde as decisões jurídicas, sociais e econômicas se baseiam em alguma crença religiosa. No caso, o islamismo –. (Vale dizer que temos um exemplo de estado teocrático no vaticano, onde a fé cristã impera as decisões sociopolíticas).
Mas a entidade tornou-se irrevogavelmente extremista, exigindo que a mulher assumisse o papel imposto por eles, de inútil, e que fossem proibidas de estudar. Quando a Malala resolveu assumir a causa ao lado do seu pai, o regime extremista já estava atiçado, fazendo açoitamentos públicos, represálias e toda forma de controle à mão de ferro. Mesmo assim resolveram que continuariam a professar a verdadeira fé e o direito à educação igualitária. O pai da Malala era dono de uma instituição de ensino, e era condenado publicamente por dizerem que sua escola ensinava métodos ocidentais às garotas. Sim, eles utilizam a religião para justificar uma penca de sentimentos egoístas, como o xenofobismo, por exemplo.
Mas, falando da Malala... Ela assumiu para si o dever de lutar pela educação. Recebendo forte apoio de seu pai, um grande mentor que a direcionou para o caminho certo. Com sua forma de pensar, e método de criação, possibilitou que a Malala fosse quem é. Ambos, se dispuseram a lutar, entenderam que uma caneta e um papel era bem mais poderoso que qualquer arma de fogo que o Talibã pudesse ter... Iam a programas de televisão, davam entrevistas a repórteres ocidentais... E a Malala também não utilizava o al- amira (lenço que recobre o rosto), mostrando seu rosto e cabelos. Ela não entendia o porquê de ter de fazer aquilo. Descreve no livro que utilizar burca é desconfortante, “não dá pra andar direito”, relata a garota.
Em meio a toda animosidade política-religiosa talibã, a família Yousafzai, mais especificamente pai e filha, continuaram firme. Todavia, em determinado momento o talibã decretou proibição total aos estudos para garotas, chegando ao ponto de explodir as escolas. Neste momento, Malala e suas amigas sentiram-se acuadas, mas não pensavam em desistir. Foi quando as garotas começaram a ser encorajadas a pararem de estudar, recebendo menção honrosa pela mídia televisiva “Fulana de tal largou os estudos, a parabenizamos por isso”. Era um terror psicológico dia após dia, segregativo, fazendo com que as mentes fossem moldadas com uma camada de medo. Ou respeitava e aceitava aquilo como fato absoluto, ou era açoitado e morto em praça pública. De toda forma, o Pai de Malala e a própria garota não estavam dispostos a abandonar a causa. Ela continuou a ir à escola, sem o uniforme, e escondendo os livros debaixo da roupa. – ao menos foram útil para algo –...
Mas, no dia 9 de outubro de 2012, quando estava vindo da escola no ônibus da instituição... As estudantes foram abordadas por um homem, perguntando se aquele ônibus era da escola cujo o pai da Malala era dono, onde ela estudava. Um cara se aproximou da janela e questionou “Quem é Malala?”, ninguém respondeu, mas todos os olhos voltaram-se para ela. Além de que, relata no livro que era a única garota sem o lenço na cabeça. Foi quando apertou a mão de sua amiga e recebeu um tiro na cabeça, à queima roupa. A partir de então sua vida mudou drasticamente. Ela teve de sair do vale paquistanês para ir às Nações Unidas. Foi tratada num hospital norte-americano, e acolhida pela Inglaterra. Relatou publicamente sua experiência, após sobreviver de forma milagrosa. Escreveu o livro – o qual indico com todas as minhas forças -, e foi laureada com o prêmio nobel – por lutar pelos direitos humanos e das mulheres. Abriu uma fundação malalafund.org, onde todo e qualquer interessado poderá ajudar... É uma personalidade extremamente sensacional. Mas vale ressaltar, na minha opinião, que tudo que ela alcançou, foi com o auxílio e apoio de seu pai; um homem incrível, que tem a verdadeira fé.
O livro conta a história de uma garota que queria apenas estudar. Desde pequena, foi criada pelo seu pai como uma filha normal, recebendo criação e tratamento de igual para seus irmãos – do sexo masculino – que têm bem mais importância na cultura paquistanesa. Talvez você não saiba, mas eles pregam um “papel Amélia” para as mulheres, bem diferente do que vemos aqui no ocidente, onde as mulheres têm uma maior liberdade. Lá, eles baseiam os costumes na cultura religiosa do alcorão, onde a mulher tem o papel de procriar e servir seu esposo de forma honrosa e competente, sendo uma serva fiel e atenta. Vale ressaltar que a interpretação do livro sagrado difundido pelo Talibã, não corresponde com a realidade. O pai da Malala não queria que isso fosse o futuro de sua filha, então a única forma que encontrou foi dá-la estudo o suficiente para que ela alçasse voos maiores. Desta forma, a garota, desde muito cedo, manifestou sua imensa vontade de querer aprender, angariar uma profissão social que lhe agradasse e pudesse exercer isso à vontade; e bem além disso, ela queria que outras garotas pudessem fazer o mesmo.
Começou então uma árdua luta, ao lado de seu pai, para tornar pública a ideia da educação como uma forma de desenvolvimento social. Algo que – aos olhos do talibã – era ir contra o próprio profeta –. Numa analogia demagoga, poderíamos dizer que o talibã exerce a função de “caçar as bruxas” e aplica-las medidas disciplinares que as metodifiquem dentro do que querem – o que não corresponde ao certo -. Estão passando por uma fase onde o poder religioso mesclou-se com as exigências políticas, criando uma camada de aceitação e submissão.
A garota relata a forma como a religião muçulmana passou de algo espiritualizado para uma milícia extremista, que assolou o Paquistão e o Afeganistão. Numa certa parte do livro, ela relata um debate na escola onde uma de suas amigas discursou sobre a guerra; de que nós, ocidentais, os víamos todos como terroristas, sempre associando-os às guerras, bombas... Mas que a religião mulçumana não era isso, que ela pregava o amor e o respeito ao próximo.
O governo legislativo foi vencido – ou vendido – à milícia talibã ( é um movimento fundamentalista islâmico nacionalista que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994 e que, efetivamente, governou o Afeganistão entre 1996 e 2001). E instaurou o terror. É uma milícia política-militar que foi criada com a intenção de irromper a invasão soviética ao Afeganistão. Diz-se que é uma entidade política-religiosa, responsável por resgatar a essência da fé islã e criar um estado teocrático – onde as decisões jurídicas, sociais e econômicas se baseiam em alguma crença religiosa. No caso, o islamismo –. (Vale dizer que temos um exemplo de estado teocrático no vaticano, onde a fé cristã impera as decisões sociopolíticas).
Mas a entidade tornou-se irrevogavelmente extremista, exigindo que a mulher assumisse o papel imposto por eles, de inútil, e que fossem proibidas de estudar. Quando a Malala resolveu assumir a causa ao lado do seu pai, o regime extremista já estava atiçado, fazendo açoitamentos públicos, represálias e toda forma de controle à mão de ferro. Mesmo assim resolveram que continuariam a professar a verdadeira fé e o direito à educação igualitária. O pai da Malala era dono de uma instituição de ensino, e era condenado publicamente por dizerem que sua escola ensinava métodos ocidentais às garotas. Sim, eles utilizam a religião para justificar uma penca de sentimentos egoístas, como o xenofobismo, por exemplo.
Mas, falando da Malala... Ela assumiu para si o dever de lutar pela educação. Recebendo forte apoio de seu pai, um grande mentor que a direcionou para o caminho certo. Com sua forma de pensar, e método de criação, possibilitou que a Malala fosse quem é. Ambos, se dispuseram a lutar, entenderam que uma caneta e um papel era bem mais poderoso que qualquer arma de fogo que o Talibã pudesse ter... Iam a programas de televisão, davam entrevistas a repórteres ocidentais... E a Malala também não utilizava o al- amira (lenço que recobre o rosto), mostrando seu rosto e cabelos. Ela não entendia o porquê de ter de fazer aquilo. Descreve no livro que utilizar burca é desconfortante, “não dá pra andar direito”, relata a garota.
Em meio a toda animosidade política-religiosa talibã, a família Yousafzai, mais especificamente pai e filha, continuaram firme. Todavia, em determinado momento o talibã decretou proibição total aos estudos para garotas, chegando ao ponto de explodir as escolas. Neste momento, Malala e suas amigas sentiram-se acuadas, mas não pensavam em desistir. Foi quando as garotas começaram a ser encorajadas a pararem de estudar, recebendo menção honrosa pela mídia televisiva “Fulana de tal largou os estudos, a parabenizamos por isso”. Era um terror psicológico dia após dia, segregativo, fazendo com que as mentes fossem moldadas com uma camada de medo. Ou respeitava e aceitava aquilo como fato absoluto, ou era açoitado e morto em praça pública. De toda forma, o Pai de Malala e a própria garota não estavam dispostos a abandonar a causa. Ela continuou a ir à escola, sem o uniforme, e escondendo os livros debaixo da roupa. – ao menos foram útil para algo –...
Mas, no dia 9 de outubro de 2012, quando estava vindo da escola no ônibus da instituição... As estudantes foram abordadas por um homem, perguntando se aquele ônibus era da escola cujo o pai da Malala era dono, onde ela estudava. Um cara se aproximou da janela e questionou “Quem é Malala?”, ninguém respondeu, mas todos os olhos voltaram-se para ela. Além de que, relata no livro que era a única garota sem o lenço na cabeça. Foi quando apertou a mão de sua amiga e recebeu um tiro na cabeça, à queima roupa. A partir de então sua vida mudou drasticamente. Ela teve de sair do vale paquistanês para ir às Nações Unidas. Foi tratada num hospital norte-americano, e acolhida pela Inglaterra. Relatou publicamente sua experiência, após sobreviver de forma milagrosa. Escreveu o livro – o qual indico com todas as minhas forças -, e foi laureada com o prêmio nobel – por lutar pelos direitos humanos e das mulheres. Abriu uma fundação malalafund.org, onde todo e qualquer interessado poderá ajudar... É uma personalidade extremamente sensacional. Mas vale ressaltar, na minha opinião, que tudo que ela alcançou, foi com o auxílio e apoio de seu pai; um homem incrível, que tem a verdadeira fé.




Nenhum comentário: